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Reading: Deixe os Mortos Sepultarem os Mortos
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Evangelhos

Deixe os Mortos Sepultarem os Mortos

Será que Jesus se comportou de maneira irracional, severa e insensível para com um filho enlutado?

Rafael Manoeli
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“Deixe-me primeiro ir e enterrar meu pai.” Este pedido de um aspirante a discípulo, e a resposta surpreendente de Jesus — “Segue-me, e deixa que os mortos enterrem os seus próprios mortos” — tem intrigado leitores por dois milênios. Parece contrapor a urgência do discipulado ao mandamento fundamental de honrar os pais. Contudo, análises das práticas funerárias judaicas do primeiro século revelam que o pedido do homem provavelmente não se referia a um funeral iminente, mas a uma obrigação familiar futura e distante. Compreender esse contexto cultural mostra Jesus não como alguém que desdenhava do dever filial, mas sim como alguém que desafiava um adiamento que subordinaria o chamado transformador e imediato do reino de Deus a uma conveniência posterior e administrável.

O Contexto Bíblico

Em Mateus 8:18-22, em meio a demonstrações da autoridade de Jesus — curando enfermos, acalmando a tempestade e expulsando demônios — dois potenciais seguidores se aproximam dele. Um escriba jura lealdade entusiástica, apenas para ouvir Jesus advertir sobre o preço a pagar: “O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. Então, outro diz: “Senhor, permite-me primeiro ir sepultar meu pai”. Jesus responde asperamente: “Segue-me, e deixe  que os mortos sepultem os seus próprios mortos”.

Lucas 9:57-62 registra uma conversa semelhante durante a jornada de Jesus para Jerusalém, acrescentando uma terceira pessoa que quer se despedir da família.Jesus responde: “Ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é apto para o reino de Deus”.

Ambos os Evangelhos retratam o discipulado como algo que exige prioridade absoluta sobre segurança, obrigações familiares e normas sociais. Mateus destaca o custo em meio aos milagres de Jesus, Lucas enfatiza o compromisso de seguir adiante no caminho rumo à cruz.

21 Outro dos discípulos lhe disse: “Senhor, permitq-me ir primeiro enterrar meu pai”. 22 Mas Jesus lhe respondeu: “Segue-me e deixa que os mortos enterrem seus mortos”. (Mateus 8: 21-22)

59 Disse a outro: “Segue-me”. Este respondeu: “Permita-me ir primeiro enterrar meu pai”. 60 Ele replicou: “Deixa que os mortos enterrem seus mortos, quanto a ti, vai anunciar o Reino de Deus”.

Os textos são um tanto diferentes, mas essencialmente transmitem a mesma mensagem em versões ligeiramente variadas. A dificuldade surge do aparente desrespeito de Jesus por um dos dez mandamentos.

“Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”. (Ex 20: 12; Dt 5: 16)

Comparecer ao funeral do pai e dar adeus ao homem que desempenhou um papel fundamental no seu nascimento e educação parece uma forma óbvia de o homenagear.

Essa preocupação é aprofundada pelas tradições judaicas do período do Segundo Templo, onde o sepultamento adequado dos mortos era considerado um profundo ato de piedade e caridade. Por exemplo, a Sabedoria de Ben Sira (Sirach, composta por volta de 180 a.C.) enfatiza a importância de honrar os pais, incluindo o cuidado na velhice e a devida lembrança após a morte (Sirach 3:1–16; 7:27–28). No Livro de Tobias (um texto amplamente reverenciado no judaísmo do Segundo Templo, composto por volta de 200 a.C.), Tobias arrisca repetidamente a própria vida para sepultar companheiros judeus que ficaram insepultos, considerando isso um de seus principais atos de justiça (Tobias 1:16–20; 2:3–8).

Da mesma forma, o historiador Flávio Josefo (escrevendo no final do primeiro século d.C.) observa que até mesmo era esperado dos judeus que passassem por acaso, que se juntassem aos cortejos fúnebres em lamentação (Contra Ápio 2.205).

Varias Interpretações

Historicamente, os intérpretes cristãos, incluindo os Pais da Igreja como João Crisóstomo e Agostinho, entenderam as palavras de Jesus — “Siga-me, e deixa  que os mortos sepultem os seus próprios mortos” (Mateus 8:21-22; Lucas 9:59-60) — como um chamado metafórico para priorizar radicalmente o reino de Deus até mesmo acima dos deveres terrenos sagrados.

Eles viam os “mortos” como aqueles espiritualmente mortos (incrédulos ou indiferentes ao chamado de Deus) que podiam lidar com sepultamentos físicos. Isso enfatizava a fidelidade imediata a Cristo, muitas vezes vendo o pedido como uma desculpa para adiar o processo.O consenso acadêmico moderno favorece amplamente uma leitura idiomática: “enterrar meu pai” significava esperar até a morte do pai (vivo) e cumprir as obrigações familiares/hereditárias — potencialmente levando anos — expondo assim a procrastinação.

Uma Descoberta Fundamental da Arqueologia: Sepultamento Secundário

Descobertas arqueológicas recentes sobre os costumes funerários judaicos do primeiro século oferecem uma solução esclarecedora e, talvez, mais responsável para esse dilema.

A ideia central que proporciona uma perspectiva esclarecedora sobre o texto é que os judeus na época de Jesus não sepultavam seus mortos apenas uma vez, mas duas vezes.Já estamos familiarizados com o sepultamento primário (pense em Lázaro ou no próprio Jesus, ambos colocados em uma caverna-túmulo).  É isso que é descrito no Evangelho de João:

39 Nicodemos, aquele que anteriormente procurara Jesus à noite, também veio, trazendo cerca de cem libras de uma mistura de mirra e aloés.

40 Eles tomaram então o corpo de Jesus e o envolveram em faixas de linho com os aromas, como os judeus costumam sepultar. (João 19: 39-40)

A arqueologia fornece provas irrefutáveis ​​de que também existia um sepultamento secundário. Esse rito, conhecido como ossulégio, não era exclusivamente judaico, mas era a prática preferida entre os judeus durante séculos antes e depois da época de Jesus.Isso era especialmente verdade na Judeia, embora a prática também fosse conhecida em lugares mais remotos, como a Galileia.

Ossuários do túmulo de Talpiot, Museu de Israel
Ossuários do túmulo de Talpiot, Museu de Israel

O corpo, envolto em sudários, era deixado na caverna funerária por um longo período (geralmente cerca de um ano) para se decompor. Em seguida, alguém com conhecimento das práticas funerárias judaicas entrava, inspecionava os restos mortais e — quando restavam majoritariamente  ossos — os recolhia, colocava-os em um ossuário (uma caixa de ossos de calcário) e guardava a caixa em um nicho ou câmara separada dentro do túmulo da família.

Embora o filho certamente estivesse presente ou envolvido na organização desse processo como um ato de piedade filial, era improvável que ele próprio manuseasse pessoalmente os ossos do pai. Normalmente, essa tarefa era realizada por outro membro da comunidade.

Um dos “pequenos tratados” (masechtot qetanot) anexados às edições do Talmude Babilônico é o Tratado Semahot, um tratado menor na literatura rabínica.É o texto rabínico clássico e mais antigo dedicado às leis e costumes relacionados à morte, sepultamento, luto e ritos funerários.

Rabi Eleazar bar Zadok disse: “Assim falou meu pai no momento da morte: ‘Meu filho, enterre-me primeiro em uma vala. Quando for o tempo adequado, recolha meus   ossos e coloque-os em um ossuário, mas não os recolha com suas próprias mãos.’”  (Tratado Semahot (Evel Rabbati) 12:9)

Portanto, se essa leitura estiver correta, o aspirante a discípulo com quem Jesus falava provavelmente era um homem cujo pai havia falecido há algum tempo, mas cujo sepultamento secundário (ossilegium) ainda não havia ocorrido. O homem estava pedindo para adiar o seguimento de Jesus até que esse rito final fosse concluído.Ele usava isso como desculpa para explicar por que a obediência radical ao chamado de Cristo e a proclamação da chegada do Reino de Deus simplesmente coincidiram com um momento inoportuno de sua vida.

Mas e quanto à resposta enigmática de Jesus: “Deixem que os mortos sepultem os seus próprios mortos”?

No contexto das práticas judaicas de sepultamento secundário no primeiro século, essa frase carrega uma profunda ironia e se encaixa perfeitamente na realidade cultural.

Uma explicação plausível reside na impureza ritual envolvida: aqueles que, com conhecimento sobre o assunto, entravam no túmulo para recolher e transferir os ossos (frequentemente membros da comunidade, e não o próprio filho) tornavam-se temporariamente impuros  pelo contato com os mortos (Números 19:11, 14-16). Em grego, νεκρούς poderia evocar aqueles temporariamente “mortos” em um sentido ritualístico — impuros e separados — enquanto desempenhavam funções relacionadas aos mortos reais. A transição do aramaico (ou hebraico) falado por Jesus para o grego dos Evangelhos pode ter amplificado esse significado multifacetado para leitores posteriores, distantes dos costumes.

Uma possibilidade mais surpreendente e amplamente reconhecida é o uso, por Jesus, de uma ironia mordaz e bem-humorada para expor a procrastinação do homem.  O aspirante a discípulo alega urgência — “Deixe-me primeiro ir sepultar meu pai” —, mas o sepultamento secundário (ossilegium) só ocorreria meses depois, após a completa decomposição. Os túmulos familiares geralmente continham vários corpos em diferentes estágios: alguns recém-sepultados, ainda em processo de decomposição;outros já reduzidos a ossos em ossários ou nichos.

Jesus responde, em essência: “Deixem que os mortos (os ossos secos dos falecidos já no túmulo) ‘sepultem’ os seus próprios mortos (cuidem dos restos mortais daqueles que ainda estão em decomposição, como seu pai). Você já cumpriu a obrigação principal do primeiro sepultamento — pare de adiar essa obrigação futura e siga-me agora.”

Essa interpretação ressalta o absurdo: verdadeiros cadáveres são incapazes de sepultar alguém, destacando assim a insignificância de tais desculpas em comparação com as exigências urgentes do Reino. Como evidenciado por achados arqueológicos em túmulos da região de Jerusalém e corroborado por fontes como o Tratado de Semahot, múltiplas gerações compartilharam essas cavernas, tornando o jogo de palavras de Jesus culturalmente significativo e pertinente.

Embora a explicação do sepultamento secundário se encaixe de forma convincente nas evidências arqueológicas, muitos estudiosos veem “sepultar meu pai” como uma expressão idiomática para aguardar a morte de um pai vivo, tornando o pedido um adiamento a longo prazo. É importante lembrar que o sepultamento primário foi imediato (no mesmo dia ou no dia seguinte), portanto, se o pai tivesse acabado de falecer, o homem não estaria se aproximando de Jesus de forma tão casual em uma conversa. Essa observação apoia tanto a hipótese de que o pai ainda não havia falecido (a maioria dos estudiosos modernos defende) quanto a de que o sepultamento secundário está sendo considerado (uma minoria dos estudiosos modernos).

Conclusão

Múltiplas interpretações ajudam a resolver o aparente conflito com o claro mandamento de honrar os pais, afirmam a urgência do chamado de Jesus, e uma delas inclusive se ajusta bem aos costumes judaicos do primeiro século revelados pela arqueologia. Elas mostram Jesus não como alguém irracional, severo ou que despreza os deveres familiares, mas como Aquele que compreendia plenamente o contexto cultural e desafiava apropriadamente o homem a alinhar suas ações com suas palavras. Quando analisada sob a perspectiva da prática judaica do primeiro século, a conhecida troca de palavras transforma-se de um conflito moral confuso em uma profunda revelação da prioridade de Deus. O pedido do homem não se referia ao luto imediato, mas sim ao adiamento do discipulado por um ano ou mais — até que o rito funerário secundário fosse concluído. A resposta de Jesus, portanto, não é uma rejeição do dever filial, mas uma radical recentralização da lealdade à luz da irrupção do Reino.

Suas palavras atingem o âmago da tentação de todo discípulo: o desejo de colocar o chamado de Deus em nosso próprio tempo, de subordinar a obra urgente do Espírito ao ritmo administrável das obrigações herdadas. Jesus expõe isso não como piedade, mas como procrastinação — uma forma de morte espiritual.

Hoje, o chamado de Cristo mantém sua urgência implacável. Os “enterros secundários” que apresentamos — terminar este projeto, alcançar aquele marco, esperar por uma época mais conveniente — muitas vezes são apenas desculpas respeitáveis. O Reino não esperará que nossas agendas fiquem livres. O Rei exige que reorganizemos nossa agenda para Ele.

Citação poderosa

A Bíblia não precisa ser reescrita, mas precisa ser relida.

James H. Charlesworth
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